sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Natal

Faltam apenas dois dias para comemorarmos o Natal e essa é uma época que sinceramente, me deprime um pouco, mas só um pouco. Morando fora do Brasil há um bom tempo, longe das reuniões familiares e em um país que não tem predominância cristã entre suas religiões, o Natal acaba se tornando apenas uma grande campanha publicitária organizada pelos comerciantes, que visam aumentar seus lucros. Não se pode negar que o país (Japão) fica lindíssimo. Mas sinto falta da magia espiritual à qual estava habituada no Brasil, novenas, missa do galo, presépio, troca de cartões e presentes...
Só que isso não quer dizer que eu não tenha montado minha árvore e que eu tenha esquecido das pessoas que amo, a magia diminui, mas não desaparece.
Nesse Natal vou rezar e pedir ao Nosso Pai que ilumine o caminho de cada um de nós. E que a estrela de Belém brilhe nos fazendo trilhar o caminho da paz e da bondade.

FELIZ NATAL !!!!!!!!!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Vinícius de Moraes


A carta que não foi mandada

Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor

Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
E, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei... nem lembro mais.



sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Preconceitos

Hoje entrei em um debate que pouco me agradou, não pelo fato da discussão e nem pelas opiniões divergentes que encontrei (em algum lugar eu li que toda unanimidade é burra), mas sim pela hipocrisia que transborda quando esse assunto é abordado. E confesso também que me irrita profundamente quando tentam me vender uma verdade que não existe, claro que não quero que todo mundo concorde com o que eu acho ou penso, mas produzir uma discussão baseada em alicerces morais infundados ou basicamente construídas em cima de padrões sociais que ditam o que é moralmente certo ou errado, acaba sendo uma ofensa de tamanho incalculável.
Bem, deixe-me esclarecer qual foi a pergunta que que gerou tamanha indignação (pelo menos da minha parte). Em meio a uma roda de amigos, entre inúmeros assuntos aleatórios (assuntos banais, com raros lampejos de seriedade) surgiu o assunto de preconceitos, e tudo começou por causa do polêmico filme "O Segredo de Brokeback Mountain", onde relata uma linda história de amor, o que seria muito comum senão fosse o fato da trama se desenrolar entre dois homens. E no meio dessa conversa surgiu a questão de quem seria preconceituoso ou não. E então, nosso pequeno grupo de amigos se dividiu da seguinte forma: duas pessoas se recolheram em um silêncio sepulcral, duas disseram que são livres de qualquer preconceito e eu, que assumi todo a minha postura preconceituosa. Não preciso dizer que tive que me defender com unhas e dentes da enxurrada de lições de moral que recebi. Se as pessoas que se declararam "não preconceituosas", tivessem usado suas próprias opiniões, valeria a pena investir em um caloroso debate sobre o assunto, mas o que ouvi foram belos discursos decorados, que como a paz mundial, é pregada aos quatro ventos, mas não passa de uma linda utopia. Pois é muito fácil (e mais bonito) dizer que meu grande sonho é a paz mundial, de um mundo sem fome, sem violência e sem guerras. Quando na verdade, sentamos em cima de nosso comodismo, olhamos com desdém para o mendigo que revira nossos lixos, ignoramos as pessoas que cruzam nossos caminhos e somos incapazes de admitir que nosso verdadeiro sonho é muito mais egoísta do que gostaríamos. E tudo isso porque vivemos, não de acordo com o que sentimos ou que acreditamos, mas sim, porque somos escravos de valores morais que ditam como devemos ser, apenas para sermos aceitos dentro de nossa sociedade "sem preconceito" e "sem hipocrisia".
E quando assumo que sou uma pessoa preconceituosa, é porque acredito piamente, que jamais encontrarei alguém que seja despido de qualquer preconceito (gostaria de estar errada), porque crescemos aprendendo o que é certo e o que é errado, e esses valores morais são altamente questionáveis.
Confesso meu preconceito porque já exitei em abraçar e beijar uma pessoa portadora do HIV (mesmo tendo pleno conhecimento dos meios de contágio), desviei o olhar quando vi dois homens se beijando no meio da rua, recusei dar dinheiro a quem precisava porque achei que o mesmo iria gastar com bebida alcoólica, me afastei de uma amiga porque descobri que ela era prostituta, e muitas outras pequenas coisas que acabam passando despercebidas.
E digo, viver sem preconceito é um ato impraticável (gostaria de descobrir que estou terrivelmente enganada).
E quando, enfim me cansei das longas lições de moral, me despedi dos amigos e ao sair da interminável discussão (onde pouco falei), passou um garoto que trajava uma bela calça de couro, camiseta baby look, óculos espelhados, boina e uma bota que imitava couro de crocodilo. Enquanto me afastava pude ouvir um dos "não preconceituosos" dizendo: _ Como uma figura dessas tem coragem de sair de dia ? Isso devia ser proibido.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

* Nagoya  (名古屋市)

Com mais de dois milhões de habitantes, a cidade de Nagoya, é a quarta maior do Japão. Tendo entre estes, um número significativo de estrangeiros.
Atua como um dos principais centros comerciais do país.
Oferece aos visitantes inúmeras opções de lazer, só o castelo é diversão para um dia inteiro, e prá quem gosta um pouco de história, tudo fica mais interessante, o castelo foi construído em 1612 pelo shogun Ieyasu Tokugawa, e durante a segunda guerra mundial foi parcialmente destruído, e sendo totalmente restaurado (conforme o original) em 1959. E devo acrescentar (também como informação histórica) o nascimento de Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi. Deveria tentar explicar aqui, quem foram e qual a importância que esses três homens tiveram na história do país, mas impossível fazer um breve comentário ou resumir em algumas linhas. Então, deixarei para fazer isso em um tópico futuro, mas voltando ao nosso assunto...
Mesmo sendo uma grande metrópole, Nagoya consegue manter uma boa qualidade de vida e isso atrai cada vez mais estrangeiros, entre eles, nós, brasileiros.
Agora, qual seria o maior atrativo da cidade ? Na minha opinião (moro em Nagoya há 4 anos), são as facilidades que todo grande centro oferece e ao mesmo tempo, conservar a tranquilidade de uma cidadezinha do interior. Os moradores ou visitantes, também contam com um eficaz sistema de transporte (trem, metrô e ônibus) que acaba dando a impressão que a cidade é bem menor do que ela realmente é.
A beleza da cidade não pode deixar de ser citada como um grande atrativo, são prédios que nascem a cada amanhecer (e isso não é um exagero, já que as construções no país ficam prontas com uma velocidade absurda), templos que sobrevivem em meios às galerias comerciais, museus onde podemos encontrar hoje, exposições de Ukiyoe (xilogravuras japonesas) e no outro, Frida, Van Gogh. E isso são apenas exemplos do que a cidade oferece.
Eu sou suspeita para falar porque sou fã de carteirinha da cidade.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Ciúme ou possessão ???

O que seria esse estranho sentimento em relação a tudo que nos cerca ? Ciúme ou possessão ? E qual a diferença de uma coisa ou outra ?

Na nossa querida língua portuguesa, ciúme significa: zelos amorosos; emulação; inveja; sentimento que provoca o desejo de imitar ou suplantar alguém; estímulo; incitamento; competência; rivalidade.
E possessão significa: posse, domínio; estado de quem é possesso.

Lendo o significado das duas coisas não vejo a menor diferença, nos mostra um sentimento nocivo, ruim, mas como entender essa "chaga" que nos consome ? Sou uma ciumenta confessa, mas me enquadro nos zelos amorosos (mentir prá si mesmo, é sempre a pior mentira.- Legião Urbana).
É muito complicado entender um sentimento que nem lembramos onde começa, acho que a primeira vez que o senti, ainda era no berço, quando não entendia o porquê de minha mãe dividir a cama com meu pai, enquanto eu ficava confinada naquele pequeno espaço com grades e solitário.
E quando vamos ganhar um novo integrante na família ? Incrível, mas as pessoas não percebem o quanto uma pequena frase pode ser cruel: _Vai perder o colo. E nunca: _Vai ganhar um irmãozinho. Quem não passou por isso são caçulas ou filho único. E o mágico momento de se acompanhar o crescimento da barriga da mãe, de ajudar nos preparativos para a chegada de alguém que será seu companheiro durante toda a vida, começa a ser vista como uma ameaça. E dentro de nossa minúscula cabeça, de nosso pequeno poder de compreensão, nunca entendemos por que o irmãozinho que ainda não nasceu recebe todos os presentes e mimos. E quando chega no estágio final da gestação ? O colo da mãe foi proibido antes mesmo do bebê nascer. E depois ninguém entende o ciúme que sentimos diante de tão frágil ser. E aí, aprendemos o verdadeiro significado da palavra, e então, o colocamos em nossa bagagem de mão e somos fadados à carregá-lo a vida toda.
E quanto ao ciúmes amorosos ? Quem nunca sofreu desse mal ? Perder noites de sono por um simples pensamento. Ou amizades incompreendidas pela famosa frase "Entre um homem e uma mulher é impossível uma amizade verdadeira, sempre tem uma segunda intenção."
Sinceramente, durante toda a minha vida lutei contra esse sentimento, mas impossível matá-lo, talvez, no máximo, escondê-lo. Mas eu sempre acuso a nossa insegurança como verdadeira culpada pelos nossos surtos de ciúmes (ou possessão). E como estamos falando do que eu penso ou acho, então tomo a liberdade de falar exclusivamente da minha impressão, como mulher. Cresci ouvindo que as mulheres são "mais" ciumentas, mas discordo em número, gênero e grau. Talvez o homem seja mais contido, afinal são raros os "barracos" armados por eles, já as mulheres... Mas seria hipocrisia afirmar que o sexo masculino não carregam tal sentimento, afinal são eles que "protegem " suas esposas, irmãs, filhas, namoradas e mães, tentam a todo custo controlar suas roupas e companhias, como se estas não tivessem a capacidade de discernir o bem do mal, ou se defender. Nos tratam como sexo frágil (mas querendo ou não, devo admitir que acabamos nos acostumando com esse rótulo), e em alguns casos como verdadeiras marionetes, achando que podem nos manipular de acordo com suas necessidades e vontades. E isso não isenta, nós mulheres, de tentarmos fazer o mesmo com nosso maridos, namorados e filhos, atribuo ao ciúmes a fama que geraram uma segunda conotação para a esposa e ainda mais, para a sogra. Quantas piadinhas que ouvimos sobre o casamento e sobre nossas "amantíssimas" sogras ? Por que essa rivalidade entre a sogra e nora ? Difícil de entender, afinal amamos o mesmo homem. E por que a esposa se ofende se o marido confessar que prefere a comida de sua mãe ? Uma das coisas quem me levam a concluir que o homem é um infeliz, porque é impossível existir uma comida mais gostosa do que a de nossa mãe, pois não estamos falando de pratos ou temperos, mas do carinho, do amor, do zelo de quem se dedicou uma vida inteira. E esse "infeliz" é obrigado a esconder seu amor e sua admiração, e tudo em nome da santa paz no lar.
E quando esse sentimento se assola dentro de nossos lares, entre marido e mulher, aí sim é um Deus nos acuda. O casamento é mal visto justamente por causa dele. Transformaram a união sagrada pelo escracho que conhecemos hoje. Atualmente podemos comparar o casamento a duas coisas: puro comodismo ou as masmorras francesas. Prisões invisíveis às quais somos fadados a carregá-los, como se fosse o castigo de todos os pecados de uma vida inteira. Elogiar o(a) companheiro(a) é quase um insulto àqueles que o cercam, há quem diga: "Não existe um casamento feliz". E defender o matrimônio, ou ser feliz dentro de um, causa indignação e comentários do tipo "É pura fachada".
Quando nos conscientizarmos que qualquer relaciomento (casamentos, namoros, amizades...) existe por uma, simples, opção de escolha. Talvez, muitos estigmas cairão por terra.
Existem duas frases, que são extremamente verdadeiras (continua sendo minha opinião pessoal):

Sobre a amizade:
"Não sou eu que escolho meus amigos, são eles que me escolheram."

Sobre a fidelidade:
"Acho que uma moça só serve para esposa quando está em condições de resistir aos maus exemplos. Considero monstruosa, ou inexistente, a virtude que se baseia pura e simplesmente na ignorância do mal. Cada mulher devia ter um minucioso conhecimento do bem e do mal. Afinal de contas, a virtude é, acima de tudo, opção."


segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Anjo Pornográfico



"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha obra de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."

Será que existe alguma pessoa que ainda não leu Nelson Rodrigues ? Ao menos uma crônica, um livro, uma peça, uma nota no jornal... O "gênio incompreendido" (o próprio gostava de ser chamado assim) deixou uma herança cultural, tão grandiosa quanto a pôlemica sobre sua inspiração em tudo que escrevia. Textos recheados de tragédias, adultério, crimes passionais, ciúmes doentios, incestos... Depois de mais de duas décadas de sua morte, tudo isso ainda choca as pessoas.
Estou lendo o livro "O Anjo Pornográfico", e pasmem, inúmeras pessoas me constrangem com olhares acusadores, tudo por causa do título, mas depois de esclarecido que esse livro conta apenas a vida de Nelson Rodrigues, e que o título e o teor só tem em comum o nome que muitos (ou ele mesmo) atrubuíram ao escritor. E depois disso, a melhor das hipóteses são as perguntas do tipo: "Você lê Nelson Rodrigues ???", "Não acredito que você gosta desse tipo de leitura ?". E na pior das hipóteses: "Quem é Nelson Rodrigues ?" . Ontem, eu consegui me surpreender com esse tipo de questionamento, e tudo isso, no mesmo dia... Não dá para acreditar.
E alguém me perguntou, por que você gosta de Nelson Rodrigues ? O homem era doente, obsessivo, não existe nada decente que ele tenha escrevido. Diante de tal pergunta, fica uma outra pergunta: Por que não gostar ??? Na minha mais humilde impressão sobre o escritor fica a admiração pela inteligência do seu modo de escrever e sobre as suas obras, tentaria resumir dizendo que nada mais é., do que uma "caricatura" do ser humano despido. Despido da hipocrisia e mostrando como realmente somos. E se um escritor, que depois de 65 anos da primeira peça que escreveu, ainda abala os alicerces dos valores morais e gera uma polêmica acirrada, não é digno de ser admirado, então o que eu deveria ler ?
Nelson Rodrigues, na minha mais singela (e pessoal) opinião, atingiu o ápice de qualquer escritor, afinal para que servem os livros, as peças de teatro, os filmes (e qualquer coisa do gênero) senão, para mexer, de alguma maneira, com nossos sentimentos .
Quando levei meu filho (hoje com 7 anos) ao teatro pela primeira vez, me surpreendi, porque ao final da peça, ele falou que não gostou, porque a estória era muito triste e havia deixado seu coração apertado, disse isso com os olhos marejados. E eu fiquei muito feliz porque ele realmente entendeu e se emocionou.
E é isso que Nelson Rodrigues faz com suas obras. Mexe com os sentimentos de cada um, causando admiração, estupefação, incredibilidade, revolta, ódio e o mais comum de todos, a repulsa.
Ele realmente continua sendo um gênio incompreendido.